quarta-feira, julho 21, 2004

UM EDIFÍCIO EXEMPLAR 1 - A Extinção do Arranha Céus

Mais do que um mero ataque terrorista com impensáveis resultados políticos e geoestratágicos, a queda das torres gémeas do World Trade Center provocada pela queda intencional de dois aviões poderá ter constituído na prática da arquitectura a extinção do Arranha-Céus enquanto forma e ideia talvez comparável à extinção dos dinossauros pela queda de um medonho meteoro.
Sabemos que é arriscada esta tese. Mas vejamos, o arranha céus foi a proposta maior que herdamos do séc XIX com a invenção do elevador e a potenciação do ratio de ocupação urbana. No séc XX atingiu-se a sublimação já proposta em Nova Iorque com a construção nos anos 70 das duas torres do WTC. Não só o seu carácter de abstração e imponência como a duplicação (lembremo-nos da análise da reprodução mecânica de W. Benjamim ou ainda das reproduções em massa de Warhol) e temos provavelmente com estas duas torres o simbolo perfeito do que significa a America e o séc XX na história contemporânea.

É provável que o conceito de Arranha-Céus estivesse já completamente em desgaste e fora de prazo restando acima de tudo mais a simbologia de poder do que a funcionalidade e interestruturação urbana sonhada à mais de 100 anos.
Terá sido o início do fim? Como resta NY? será Hong kong um mero execício de réplica, como as torres Petronas em Kuala Lumpur?
Lançamos a dúvida.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

O afundamento do Titanic não foi o fim dos grandes transatlânticos, pelo contrário. Além disso as propostas de arranha-céus tem surgido por todo o mundo em maior quantidade, mesmo na Europa em larga escala... basta lembrar das 4 novas torres com cerca de 250m aprovadas para Madrid. Roterdão nem se fala, até o Siza vai lá fazer duas de 45 pisos. Milão também já tem novas em mente. Londres vai entar na casa dos 300m, Barcelona fica-se pelos 150m. Até na pequena lituânia em Vilnius recém inauguraram uma com 120m, e novas vem a caminho. Falamos de verdadeiros arranha-céus e não de mini-torres de 105m como as polémicas do Siza para Alcântara.

13 de agosto de 2004 às 23:51  

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